Pesquisas sobre o cooperativismo são apresentadas em congresso na Espanha

O Sistema OCB apresentou dois estudos sobre o cooperativismo brasileiro durante a ICA CCR European Research Conference 2026, realizada de 4 a 6 de novembro, em Valência, na Espanha. Organizado pelo Comitê de Pesquisa Cooperativa da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), o encontro reuniu pesquisadores e especialistas para discutir o movimento cooperativista a partir de diferentes perspectivas acadêmicas. 

Os trabalhos foram desenvolvidos por Arthur Nery e Thiago Victorino, analistas do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, e Rodrigo Rangel, coordenador, e apresentados por Arthur no evento. As pesquisas abordam dois temas importantes para o desenvolvimento do setor: a preservação da identidade cooperativista diante das transformações das organizações e as diferenças entre cooperativas de crédito e bancos, mesmo quando submetidos às mesmas regras prudenciais. 

“Participar de fóruns acadêmicos internacionais é uma oportunidade de compartilhar evidências sobre o cooperativismo brasileiro e levar ao debate global questões importantes sobre a identidade, a gestão e as características econômicas das cooperativas”, destacou Arthur. 

Cultura cooperativista e identidade 

O primeiro artigo, intitulado Quem vê a cultura cooperativista? Evidências da primeira pesquisa nacional de identidade cooperativa no Brasil, apresenta resultados da 1ª edição da Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista realizada pelo Sistema OCB em 2026. 

O levantamento ouviu 9.753 cooperados, empregados e dirigentes de 1.321 cooperativas e investigou como os diferentes públicos percebem a identidade cooperativista, a relação com as organizações e a presença dos princípios e valores no cotidiano das cooperativas. 

Entre os resultados, 89% dos participantes demonstraram interesse em manter um relacionamento de longo prazo com suas cooperativas. O mesmo percentual afirmou que recomendaria a organização a outras pessoas. Além disso, 93% dos cooperados disseram sentir o dever moral de honrar os compromissos assumidos com a cooperativa, enquanto 87% afirmaram manter a fidelidade à organização mesmo em períodos de crise. 

Os dados ajudam a compreender a força do vínculo entre cooperativas e seus públicos, mas também apontam desafios para manter essa relação ao longo do tempo. A pesquisa identificou, por exemplo, que a falta de tempo e o acesso limitado à informação estão entre as principais barreiras à participação e ao conhecimento sobre o cooperativismo. 

O estudo oferece subsídios para pensar estratégias de educação, formação e informação, além de iniciativas que aproximem cooperados, empregados e dirigentes da identidade e dos valores do movimento. 

Cooperativas de crédito e regulação prudencial 

O segundo trabalho, Perfis institucionais sob um marco prudencial comum: evidências de cooperativas de crédito e bancos brasileiros, investiga como cooperativas de crédito se comportam quando comparadas a bancos de porte semelhante e submetidas às mesmas exigências regulatórias de capital e risco. A análise utilizou dados trimestrais do Banco Central, entre 2017 e 2024, abrangendo 130 cooperativas singulares e 144 bancos que seguem a metodologia completa de Basileia. 

Os resultados mostram que, mesmo sob um arcabouço regulatório comum, as cooperativas apresentam características próprias: operam com custos menores, têm retornos mais estáveis e destinam uma parcela maior de seus ativos à concessão de empréstimos. 

A constatação contribui para um debate relevante no cenário internacional: a necessidade de considerar as particularidades do modelo cooperativista na construção de regras prudenciais. Isso porque parâmetros desenvolvidos a partir do comportamento dos bancos podem representar de forma inadequada a estrutura e a dinâmica das cooperativas de crédito. 

A participação em Valência dá continuidade ao trabalho de pesquisa desenvolvido pelo Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB. Em 2025, a mesma equipe conquistou o prêmio de melhor artigo no congresso global do ACI CCR, realizado em Montreal, no Canadá. O estudo premiado foi publicado em 2026 na revista científica Annals of Public and Cooperative Economics. 

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