O cooperativismo habitacional em Goiás vai muito além da entrega de moradias a preços até 40% abaixo do mercado. A atividade movimenta milhões de reais em obras, aquece a cadeia de suprimentos local e transforma o comércio e a prestação de serviços nos bairros que recebem novos empreendimentos verticais.
Em Goiânia, bairros tradicionais como o Setor Marista exemplificam essa transformação urbana. A chegada de novos edícios residenciais construídos por cooperativas atrai um fluxo constante de novos moradores e trabalhadores para a região.
Esse cenário gerou oportunidades de negócios para comerciantes locais. Há cinco meses, o administrador Paulo Gustavo Schroff adaptou parte da recepção da clínica veterinária da família na Rua 145 para abrir um empório de conveniência, de olho no público formado por operários de canteiros de obras e novos moradores.
Franquias de alimentação também redirecionaram suas estratégias por causa dessa nova dinâmica demográfica. O Paulistinha Sanduíches mudou sua cozinha para o mesmo setor para otimizar entregas por aplicativo na região metropolitana e atender moradores que retiram pedidos a pé.
Os dados econômicos do setor refletem a magnitude dessa movimentação em Goiás. O Sistema OCB/GO aponta que as cooperativas impulsionam a construção civil, contratam serviços especializados, geram empregos diretos e fortalecem o comércio urbano.
A Cooperluxo, por exemplo, já movimentou cerca de R$ 210 milhões em cinco empreendimentos, reunindo 453 cooperados e centenas de trabalhadores. O modelo prioriza fornecedores locais, mantendo de 70% a 80% dos recursos financeiros circulando dentro do próprio estado de Goiás.
No caso da CooperaCinco, a movimentação acumulada desde o início de suas operações em 2007 atinge a marca de R$ 1 bilhão. A cooperativa concluiu cinco projetos para 700 famílias e mantém atualmente cerca de 500 trabalhadores diretos em cinco obras simultâneas em Goiânia.
Especialistas acadêmicos destacam que os reflexos econômicos continuam mesmo após a entrega das chaves. A necessidade de decoração, acabamentos e serviços nas novas residências movimenta arquitetos, lojas de móveis e o mercado imobiliário local.
Para a economia urbana, o cooperativismo atua como um agente de fomento ao emprego, à renda e à valorização imobiliária. A participação ativa dos cooperados nos projetos reforça um modelo de negócio voltado tanto para a habitação quanto para a sustentabilidade econômica regional.


