Um projeto educacional e social desenvolvido no Paraná tem mudado a trajetória de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade por meio da criação de cooperativas mirins. A iniciativa, liderada pelo Sicoob Ouro Verde em parceria com instituições de ensino e entidades assistenciais, já engloba mais de 120 unidades em todo o estado, promovendo autonomia, liderança e educação financeira desde a infância.
A proposta pedagógica atende participantes de 8 a 17 anos, estimulando a fundação de associações estudantis reais. Os grupos elegem diretoria, definem produtos comerciais — como doces e artesanatos —, organizam assembleias e aprendem na prática o conceito de cooperativismo, trabalho em equipe e gestão financeira.
Em Lerroville, distrito rural de Londrina, o programa deu origem à Cooper Laços e à Cooper Ville. O impacto na vida dos estudantes é evidente na transformação de comportamento, como no caso do jovem Rian Santos, que superou a timidez extrema ao assumir a presidência de uma das cooperativas mirins.
O modelo financeiro das cooperativas é baseado em cotas de participação iniciais e na comercialização de produtos desenvolvidos pelos próprios alunos. O excedente financeiro, tratado no cooperativismo como “sobra”, é direcionado para reinvestimentos, ações sociais e atividades culturais, como passeios e visitas recreativas.
Uma das iniciativas de maior destaque é a cooperativa “Mãos que Transformam”, mantida na Apae de Londrina. Reunindo 17 participantes com deficiência intelectual ou múltipla, o grupo reativou uma padaria desativada para produzir biscoitos e itens de limpeza, unindo capacitação profissional, cidadania e inclusão social na rotina dos estudantes.

